segunda-feira, outubro 06, 2008



Sere-
níssima




Veneza está aqui sob os meus olhos! Esplêndida nos alongados matizes da sua laguna, na cor das suas casas, nas inúmeras pontes que a unificam sob um sol quente. Cheira a maresia e o musgo está mais acastanhado. De pé, num ponto mais alto, avisto a ilha entre as ilhas. Se a memória não me estiver traindo, é aquela onde passei um Verão com o pai. Onde fui feliz. Onde o tive só para mim. O nome foge-me nos lábios que a não sabem pronunciar. Não era Murano de que ambos não gostámos. Não era Burano onde vínhamos frequentemente sempre que eu sentia saudades do arco-íris e onde, num dia de sol, dançámos os dois na praça da igreja ao som de uma música que só nós ouvíamos. A outra, era uma ilha com ruínas onde o pai desencantava peças antigas que, depois de longo estudo, datava, colocava os vários “cacos” em caixas próprias que, devidamente embaladas, eram enviadas para Turim onde eram limpas, levemente restauradas - contrariamente aos desejos do pai - e em seguida reenviadas para a ilha e colocadas no Museu que, ao tempo, era apenas constituído por duas salas quase nuas.

Continuei a deixar o olhar divagar. Procurei a ponte junto à Academia onde o pai gostava de me levar e, onde, manhã cedo, sentados nos degraus me ensinava o cuidado e rápido processo das aguarelas. Ainda devem estar algumas na pasta verde e preta do escritório onde o pai as guardava com todos os meus desenhos.

Deixei o olhar correr para a direita e com o leão da Praça de São Marcos a servir de baliza descortinei aquela igreja que parecia erguer-se da água – S. Giorgio Maggiore onde uma paragem era sempre obrigatória, não por qualquer rito religioso mas para olharmos Veneza e a laguna do alto do seu campanário ou, a horas em que não houvesse turistas, nos colocarmos na coxia da última fila de bancos a olhar a laguna; parecia mesmo que aquela porta desaguava na água pontilhada com as cúpulas de La Salute. Um frio percorreu a minha mão como se nela se tivesse vindo colar a do pai.

Começava a andar na direcção das pequenas ruelas e dos pequenos braços de água que cozem a trama da cidade do lado esquerdo do Gran Canal quando ouvi a voz poderosa e autoritária da minha avó:

- Madalena, saia daí, não vê que a maré está a encher e se cair vai aleijar-se nas rochas dessa poça?!

- Já vou, avó.

- Despache-se.

É sempre assim. Há sempre alguém a interromper estes momentos de íntima paz, silêncio e sonho.

A custo deixei aquelas poças junto às pedras que formam o pontão; a maré baixa estava a avançar em direcção à preia-mar e, daí a pouco, também já nelas seria impossível descortinar Veneza. Abandonei aquele lugar cabisbaixa e tristonha. Quando cheguei ao toldo que minha avó mantinha, invariavelmente, todos os anos, em Agosto e Setembro, perguntei-lhe:

- Avó, lembra-se do nome daquela ilha, perto de Veneza, onde o pai fazia escavações?

- Torcello; porquê?

- Estava ali a olhar as poças e nelas a ver Veneza, a laguna, os palácios, os...

- Chega, Madalena! a menina já não tem idade para viver sempre a sonhar. Isso até lhe faz mal! Se se empenhasse em ser como as outras meninas da sua idade, seria bem mais feliz. O mal foi a sua mãe ter consentido que o seu pai a levasse muito mais tempo do que o estipulado pelo tribunal. Ficou assim, meia aluada, como ele! E agora já é tarde, sobretudo depois de ele lhe ter deixado aquele casarão cheio de tralhas; o seu pai só quis prolongar em si esse reino da fantasia. Viva e deixe-se dessas tretas!


Calei-me. Não valia a pena explicar-lhe que a única coisa boa que eu guardo dessa separação traumática foi os meus pais nunca se terem desunido no que a mim dizia respeito.

Olhei para a minha Veneza que a maré a encher ia desfazendo e, entre céu e água, julguei descortinar um sorriso.




HFM - Ericeira, praia do Sul, 19 de Setembro de 2008



Nota: pequeno conto escrito depois de ter estado entretida a olhar as poças da maré baixa e a pensar nas fantasias que eu criava, quando criança, como o célebre sangue do Capitão nas rochas das Furnas – um conto um dia a escrever.

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segunda-feira, setembro 22, 2008

Equinócio de Setembro


*



As cores do Verão para encherem de pormenor este cair da tarde que, de dia para dia, irá ser cada vez mais cedo; até Dezembro - pois, como minha mãe dizia:

- Depois do Menino nascer tudo a crescer.


*Fotografia que tirei no jardim de Annecy junto ao Lago. Um pequeno braço do Lago que se dirige para a cidade.



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sexta-feira, setembro 12, 2008







Na pedra talhados do alto do monte olham o lago.


Aix les Bains - Museu

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sexta-feira, julho 11, 2008

Na casa de Dalí em Port Lligat ao lado de Cadaquès



Port Lligat



De dentro para fora











Estúdio e os originais






Pormaiores









Zona da piscina



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quinta-feira, julho 03, 2008

Só podia ser para uma pessoa





Quando junto à Cité de Carcassonne parei o meu "velho" carrito logo este se impôs, arrogante, triunfante, impante; contudo, belíssimo e polidíssimo... confesso que tive uma certa invejinha, tenho que falar baixinho não vá o meu carro ouvir e ainda quero que me leve por muitas outras estradas fora...

Mas, obviamente, que quando o vi só poderia ter pensado numa pessoa - no meu amigo Carlos Peres Feio. Ele que me diga que máquina é esta, o ano e toda a parafernália de informação que um amante de "máquinas" sabe seguramente. Garanto-te, Carlos, que o carro tinha quase mais mirones do que a Cité...

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quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Os esquilos, meus amigos


já tinha saudades de os ver. Fotografias tiradas em diferentes parques.















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sexta-feira, novembro 23, 2007

Barcelona para terminar II

o Parque Güell encomendado por este senhor a Gaudí e onde o artista deu livre curso à sua imaginação. No parque existe a Casa Museu Gaudí que ele habitou e onde se encontra algum mobiliário por ele desenhado assim como imensos esboços e desenhos.



a escadaria junto à entrada principal do Parque




o célebre lagarto, ex-libris, que se encontra nessa mesma escadaria



a sala das colunas por baixo do famoso banco ondulado



um dos lados da sala das colunas vista quando subia para o banco ondulado




uma vista sobre a cidade onde ao fundo se destaca o mar - ameaçava chover mas rapidamente o sol abriu



do banco ondulado sobre a cúpula do Museu Gaudí e sobre os verdes que ali são a paisagem dominante



pormenor do banco ondulado; impossível fotografá-lo todo quer pela sua extensão quer pelas numerosas pessoas e artesões que nele estão sentados ou expondo as suas obras



mais um pormenor dos inúmeros desenhos cromáticos do banco



outro pormenor do banco mas visto agora da parte exterior e já na descida para a Casa Museu



uma das muitas passagens superiores cuja base são estas colunas que, ao longe, sempre me fazem pensar, tal como a Sagrada Família, em construções na areia



um pormenor da Casa Museu Gaudí



parte do escritório de Gaudí



apesar de muito fraca como fotografia trouxe-a aqui para mostrar a cadeira que ele desenhou para o piano e cujo assento é uma lira




mobiliário desenhado por Gaudí



vista do interior da casa sobre o jardim



fotografia desfocada mas serve apenas para mostrar uma folha com os muitos desenhos que Gaudí fazia compulsivamente. Este são vários pormenores para a Sagrada Família



mais uma das tais passagens com as colunas onde a árvore parece uma escultura


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quarta-feira, novembro 21, 2007

Barcelona para terminar I


finalmente Gaudí. Deixei-o para o fim pois Barcelona é muito Gaudí. Sobre ele poderia escrever muitos posts mas vou-me limitar ao essencial visto que vai quase fazer um mês que regressei e ainda continuo a falar de Barcelona!

Comecemos então pelas casas - Milà mais conhecida pela Pedrera e Batló. Como não tenho conhecimentos arquitectónicos suficientes para vos falar delas deixeirei apenas as fotografias e da primeira referirei que a subida aos telhados é indispensável para se poder observar aquela armada de guerreiros fantasmagórica que domina todas as chaminés e saídas de ar. Sem falar no andar cheios do arcos catenários que ele criou e onde estão em exposição algumas das suas obras, mobiliário, desenhos e maquetes. A visita ao andar que está mobilidado à época é outro ponto a não perder.





A fachada da casa Milà que dá para duas ruas



O escritório no interior no andar que se encontra mobilado à época



Por baixo do terraço o Espaço Gaudí onde se encontram alguns dos seus trabalhos. Candeeiro.



Os "guerreiros" que dominam o terraço














A casa Batló por fora parece um conto de fadas onde a qualquer momento poderemos ver surgir os gnomos. O interior despojado é muito belo e os arcos dão-nos uma visão de pureza.




A parte superior da casa Batló



Um zoom duma janela



outro zoom de uma parte exterior



uma janela interior




os célebres arcos



Um pormenor com pouca luz da escada interior cujo elevador foi desenhado pelo próprio Gaudí



pormenor do terraço superior da casa



pormenor do terraço superior da casa



pormenor do terraço superior da casa




Um pormenor do terraço inferior


Nota: prometo que terminarei no próximo post com o Parque Güell também desenhado por Gaudí e onde se encontra o Museu.

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