Sexta-feira, Maio 09, 2008

Sem título


quando te rasguei no magenta
soltou-se a pintura

ária ávida de entrelinhas.


HFM - Lisboa, 6 de Maio de 2008



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Quarta-feira, Maio 07, 2008

Conversando a sós comigo




não há olhos demorados
remos ásperos conduzem a barca
deslizo na demora do sentir
do olhar
sei que algures encontrarei o cristal
deixarei o opaco
navegarei no cinzento do lodo
até ao azul infinito
do mar.


HFM - Lisboa, 6 de Maio de 2008



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Segunda-feira, Maio 05, 2008





Um dedo desenhando no ar o infinito
solta-se em Delfos o eco.


HFM - Lisboa, 3 de Maio de 2008



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Domingo, Maio 04, 2008

Franklin Rodrigues Marques


Quando o luto nos invade, para além do nó que tudo estilhaça, agarro-me apenas à amizade e ao privilégio de o ter tido como amigo.

Acabei de saber pelo Eduardo Graça e ver a notícia aqui.


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Quinta-feira, Maio 01, 2008

Vas señora a maltratarme




letra anónimo português - do disco O Lusitano cantado por Gérard Lesne.

Hoje acordei com ela e revi-me em Azay-le-Rideau onde o Lusitano servia de fundo ao espectáculo de luz e som que adornava o seu magnífico castelo.


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Terça-feira, Abril 29, 2008


Sentou-se à mesa para pensar no mundo, na vida, enfim em si própria.

Na sua frente várias folhas em branco e silêncio a envolvê-las. Um lápis na mão. Pensar não se coaduna com a rapidez e limpeza de um processador de texto. Colocou a cabeça entre as mãos. Fechou os olhos. Esperou a chegada dos pensamentos.

Quando acordou a única coisa que viu escrita no ar foi uma tarde perdida.


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Quinta-feira, Abril 24, 2008

Tónus


É o sol invadindo os póros e todos os sentimentos. Sedimentos de areia enredam-se na maresia e o azul domina o olhar. Espraia-se a liberdade na pele da secura. Assim espero ficar por uns dias.

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Terça-feira, Abril 22, 2008





Só um sinal cruzando o infinito. Inenarrável. Impreciso. Uma fuga. Ou será apenas o mar chamando por mim?


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Sábado, Abril 19, 2008


desabou a chuva
num equinócio de agonia
lavando a areia
e o tédio

cresceram nas cisternas
as promessas.


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Sexta-feira, Abril 18, 2008

Hiato



Não somos senão um hiato entre futuro e passado a que chamamos momento. Momento inexistente pois que sempre passado. Assim flutuamos. Presos a uma liana saltando de galho em galho. Voláteis. Imprecisos. Sem contornos. Sempre em fuga. Numa eterna esperança de presente que se quer futuro mas que sempre é só e tanto – passado. Somos, outrossim, uma amálgama de momentos – um palimpsesto onde, de certeza, temos apenas o passado. Talvez por isso nos projectemos no futuro, na incerteza, no desejo de eternizarmos esses hiatos que, de tão assíduos, os julgamos imutáveis, prisioneiros dos nossos próprios impulsos.

Somos a referência do que passou – futuro sempre adiado – escrito num vento sem fronteiras.


HFM - Lisboa, 16 de Abril de 2008

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